domingo, 2 de maio de 2010

Doutrina Espírita e Mediunidade


As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal. Essas comunicações dos Espíritos com os homens podem ser ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, pela ação de médiuns que servem de instrumentos aos seres invisíveis.
Quando a mediunidade se apresenta com caráter ostensivo na vida de uma pessoa, ainda que não esteja presente o conhecimento da Doutrina Espírita, podemos pressupor a existência de um planejamento anterior à encarnação, para utilização desse potencial para o bem da coletividade. É bom saber que os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem agir com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Somos nós, portanto, que definimos de que maneira queremos usar o potencial que possuímos.
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, sem qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, trivial e até grosseira. Dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem às suas custas, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falsas esperanças.
A Doutrina Espírita pode orientar aqueles que nasceram com a predisposição para o transe mediúnico, oferecendo-lhes todos os subsídios, para a aplicação adequada da mediunidade. Jesus afirmou que nos enviaria um Consolador, para lembrar seus ensinos e acrescentar outros esclarecimentos que, àquela época, não conseguiríamos compreender, devido à falta de pré-requisitos. Na época prevista, Allan Kardec se apresentou no cenário do mundo, codificando essa maravilhosa Doutrina que representa a concretização da promessa do Cristo.
A leitura das obras básicas do Espiritismo nos ensina que a moral dos Espíritos que se incumbiram de trazer aos homens o Consolador se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio, encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, desliga-se da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, avizinha-se da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas serão todas as suas torpezas; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra. Mas ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.
Busquemos nessas reflexões, que resultam dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores, recursos para traçar um plano consistente de educação e aplicação do nosso potencial, seja ostensiva ou latente a nossa comunicação com a dimensão maior da vida, a fim de que possamos ser peças ajustadas na engrenagem que está em ação no mundo, objetivando a construção da paz com que tanto sonhamos.

3 comentários:

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  2. Recentemente, me candidatei à educação mediúnica, já que descobri, somente na fase adulta, o meu potencial para a mediunidade ostensiva. A sua fala sobre os espíritos do bem ou do mal, que nos acercam dependendo das nossas intenções, em especial durante o trabalho mediúnico, me remete a uma constatação que tive nos últimos anos... Como são numerosos os espíritos necessitados que nos rodeiam na Terra!

    É certo que ouvimos isso dos próprios espíritos da codificação do Espiritismo. Mas essa constatação prática, a partir da percepção mediúnica, pode nos levar a uma certa insegurança... Será que somos capazes de resistir a tantos assédios? Nós que também somos devedores e necessitados, em maior ou menor grau? Bom, a resposta que cheguei, até agora, é que NEM SEMPRE. Mas sigamos com paciência e resignação, pois sabemos que também esse assédio é uma prova que devemos passar (afinal, nada
    é por acaso).

    Inclusive, temos que exercitar a paciência e o perdão, não apenas com esses irmãos espirituais, mas também em relação a nós mesmos. Vamos perdoar a nossa própria limitação em atrair essas presenças perniciosas em nossas vidas. Mas vamos também continuar tentando fazer diferente a cada dia.

    Com o tempo (e só com o tempo!), vamos aprendendo a lidar com essas influenciações (que, segundo o Livro dos Espíritos, de ordinário, dirigem as nossas vidas). Também com o tempo, vamos percebendo, mais e mais, a presença constante da PROTEÇÃO ESPIRITUAL na vida de cada um de nós. Essa proteção que, independente de nossos débitos do passado, todos somos merecedores, graças à misericórdia divina.

    Obrigada pela reflexão! Continue essas mensagens cheias de ensinamento e insights.

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  3. Suas reflexões são interessantes, Renata. O estudo e a prática da mediunidade representam um caminho de muito crescimento pelo aprendizado que propiciam. Sabemos hoje que os Espíritos, ao desencarnarem, carregam consigo suas virtudes e seus defeitos, continuando, na vida espiritual, a serem o que eram quando encarnados, pois que a morte não transforma a criatura naquilo que ela não é.
    Assim, a grande maioria dos homens, morrendo para a vida física, adentram o mundo espiritual marcados pelos seus vícios e condicionamentos materiais.
    As religiões tradicionais, com as ideias sobre o céu e inferno e as de repouso para esperar o julgamento final não ajudam o indivíduo a se preparar para o que se seguirá após a morte do corpo.
    Na verdade, do ponto de vista da realidade espiritual, cada um se mostra tal como é, não havendo possibilidade de engodo pela hipocrisia e pela falsa aparência. A ressonância vibratória marcada no perispírito é traduzida pela aura psíquica de cada um, que reflete a sua condição espiritual e também o chamado peso específico que se fundamenta na elevação dos pensamentos, sentimentos e atos da criatura.
    Os que se encontram em posição de perturbação por falta de esclarecimento adequado, ou por renitência normal, ignorantes que são da lei do amor, necessitam ser orientados, para que em se modificando mentalmente, melhorem de situação espiritual. Por estarem ainda cheios de condicionamentos materiais não percebem a ação mais direta dos orientadores desencarnados, necessitando do contato com os espíritos ainda mergulhados nos fluídos densos da matéria, ou seja, os encarnados, o que acontece no fenômeno mediúnico. O contato desses seres conosco pode nos transmitir mal estar, perturbação mental e outros efeitos indesejáveis, mas nós podemos ser amparo para eles, na medida em que nos conectarmos a ideal espírita-cristão de vivência fraterna.
    Assim, pelo nosso exemplo e atitude no bem, seremos educadores desses Espíritos, auxiliando-os a se melhorarem e isso apressará o progresso do mundo espiritual,com resultados benéficos no mundo dos encarnados.

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